Pois é... a verdade é que eu sempre estou em perguntando para onde estou indo. Não sei exatamente há quanto tempo, mas uma inquietação constante vem se recostanto em minha mente. Em relação a tudo. Uma sensação jamais sentida de que "a vida passa", o tempo passa, e nada fica, ou retorna... e se retorna, aaahhh... se retorna, é outro tempo. Um tempo que não perdoa. Um tempo que arrebenta. Um tempo que dói se não se vai, mas que dói mais ainda se não permanece. O tempo é o mais cruel de todos os inimigos. O mais minuncioso de todos os problemas da vida. É a chave sem porta. É a trama sem solução. O final feliz que não tem história. Ele não gosta de você. Ele é violento. Te pega de surpresa, muitas vezes. Te come por trás! É isso. O tempo anda me comendo... As horas vagas são repletas de nada, os minutos são contínuos de pensamentos imperfeitos, de cóleras em estágio levemente avançado, que torturam numa discreta punição de sentimentos irritantes, sorrateiros, infecciosos... Existe algo mais além do tempo?? Às vezes, tenho a certeza que não. Às vezes, chego a conclusão que ele é o "rei do mundo", ele manda. O tempo domina. Da forma mais absolutista que se possa pensar. Ele manda. Não adianta. Nada, simplesmente nada pode deter o tempo.
A verdade é que tenho me perguntado muito para onde estou indo. E é ele, só ele, que vai me arrastando, à força, pelo braço. O tempo!
"Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo." Clarisse Lispector
